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Paraguai e Argentina: o que os dados dizem sobre a demanda por peptídeos metabólicos

As pesquisas oficiais mostram que cerca de um terço dos adultos do Paraguai e da Argentina vive com obesidade. O que isso significa para a região e o que uma demanda em alta exige da cadeia de frio, do lote e da verificação.

Imagem ilustrativa

Paraguai e Argentina dividem mais do que uma fronteira: as pesquisas oficiais dos dois países mostram que o excesso de peso atinge dois em cada três adultos. Esse contexto ajuda a entender por que cresce na região o interesse pelos peptídeos metabólicos, e por que esse interesse precisa vir acompanhado de cuidado com a cadeia de frio, o lote e a verificação.

Paraguai: o que a pesquisa nacional mediu

A Segunda Pesquisa Nacional de Fatores de Risco de Doenças Não Transmissíveis (Segunda Encuesta Nacional de Factores de Riesgo), do Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social, mediu o peso e a altura de adultos de 18 a 69 anos com o método STEPS da Organização Mundial da Saúde. Com dados coletados em 2023 e publicados em 2025, encontrou 69,7 % de adultos com excesso de peso (índice de massa corporal de 25 ou mais) e 32,4 % com obesidade (índice de 30 ou mais). Na mesma pesquisa, 10,6 % das pessoas relataram ter diabetes.

Argentina: a quarta pesquisa nacional

Na Argentina, a 4ª Pesquisa Nacional de Fatores de Risco (Encuesta Nacional de Factores de Riesgo), de 2018, feita pelo INDEC e pela Secretaria de Governo de Saúde em localidades com 5.000 habitantes ou mais, fez medições objetivas em adultos de 18 anos ou mais. Segundo essas medições, 66,1 % tinham excesso de peso e 32,4 %, obesidade. Quando a resposta foi dada de boca, sem balança, a obesidade declarada foi de 25,3 %: a diferença mostra por que vale olhar como cada número foi obtido.

O fato de o 32,4 % se repetir nos dois países é só uma coincidência: as pesquisas são de anos diferentes e cobrem faixas de idade diferentes. Servem para dar uma ordem de grandeza, não para compará-las ponto a ponto.

O interesse pela classe GLP‑1 na região

Com números assim, não surpreende que a classe de medicamentos conhecida como GLP‑1 ocupe cada vez mais espaço na conversa sobre saúde metabólica no Cone Sul. Pesquisas de consumo de consultorias privadas registram esse interesse em vários países da América Latina, mas ainda não existe uma estatística oficial e pública sobre o uso desses peptídeos nem no Paraguai nem na Argentina. Por isso não damos aqui um número de uso: preferimos o dado medido à estimativa sem respaldo.

Os resultados dos ensaios clínicos são publicados como médias de grupos de participantes: descrevem o que aconteceu com o conjunto e não permitem prever o que vai acontecer com uma pessoa em particular. O ajuste e a frequência de uso são definidos pelo profissional de saúde, não por um artigo de mercado.

O Paraguai, além disso, fabrica

O lado da oferta também conta. O Paraguai tem uma indústria farmacêutica com trajetória que, segundo o próprio setor, abastece a maior parte do seu mercado interno e exporta para a região. Contamos isso em detalhe em o que distingue uma indústria farmacêutica madura.

O Brasil, como referência

Do outro lado da fronteira, o Brasil serve de ponto de comparação: segundo o Vigitel 2024 do Ministério da Saúde, 25,7 % dos adultos das capitais brasileiras declararam ter obesidade. É um dado autorreferido, comparável aos 25,3 % declarados na Argentina, e não aos números medidos com balança.

Quando a demanda cresce, a cadeia se alonga

Mais demanda significa mais volume, mais depósitos, mais transporte e, muitas vezes, mais intermediários entre quem produz e quem usa. Cada elo é uma chance de algo mudar no caminho, e os peptídeos injetáveis são sensíveis à temperatura: a caneta de retatrutida 40 mg da VLS, por exemplo, é conservada entre 2 e 8 °C, a faixa de uma geladeira comum. Uma falha na cadeia de frio não deixa marcas visíveis na embalagem; por isso, vale tratá-la como parte do produto, e não como um detalhe de logística.

Cadeia de frio, lote e verificação: o que observar

  • Cadeia de frio: se a conservação indicada, de 2 a 8 °C, é respeitada da fábrica até a entrega, e que cuidados o fornecedor descreve para o transporte e para guardar em casa.
  • Lote: número de lote e validade na embalagem, junto com o certificado de análise do lote, como os que reunimos em relatórios de laboratório.
  • Verificação: um código que permita conferir a unidade, como o da verificação de lote.

Para ver como esses pontos aparecem na prática, veja a página da fábrica, com as etapas de produção, e como conservar a caneta até o fim.

Fontes

  • Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social (Paraguai). Segunda Encuesta Nacional de Factores de Riesgo de Enfermedades No Transmisibles, 2025. PDF
  • INDEC e Secretaria de Governo de Saúde (Argentina). 4ª Encuesta Nacional de Factores de Riesgo: resultados definitivos, 2019. PDF
  • Ministério da Saúde (Brasil). Vigitel Brasil 2006-2024. PDF

Conteúdo informativo; não substitui a orientação de um profissional de saúde.

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